sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

4° dia


Finalmente chegou o 4° dia, o primeiro que não teríamos que passar na estrada. Reservamos o dia todo para conhecer melhor Buenos Aires, já prevendo que não conseguiríamos aproveitar o máximo da cidade em apenas um dia.

Acordamos por volta das 9 da manhã, conversamos com o Lúcio (que tinha coisas a resolver durante quase todo o dia), pegamos o carro e partimos para o centro. O apartamento era razoavelmente perto do metrô, mas preferimos tentar a sorte de carro. Isso serviu apenas para descobrir que é virtualmente impossível estacionar o carro no centro de Buenos Aires (algo que, convenhamos, não é muito diferente de São Paulo). Demos uma, duas, três voltas pelo mesmo lugar até finalmente desistirmos e voltarmos para perto da casa Lúcio, para irmos de metrô. E nem lá tinha vaga direito, tivemos que parar bem longe de onde estávamos...

Centro de Buenos Aires, visto da Plaza de Mayo

 O metrô de Buenos Aires é bem antigo: a primeira linha data de 1913. E isso se reflete no estado das estações: as que passamos eram bem deterioradas, em comparação com o metrô de São Paulo. Os trens também não eram muito melhores. Apesar disso, a viagem (curta) ocorreu sem transtornos, e numa velocidade bastante razoável. Descemos na estação do Obelisco, um grande monumento no meio da larga Avenida 9 de Julio e bem no coração de Buenos Aires. Foi construído em 1936 para comemorar o quarto centenário da fundação da cidade, e suas quatro faces retratam momentos importantes da história de Buenos Aires: a primeira fundação (leste), a segunda fundação (sul), a transformação em capital federal (oeste) e a primeira vez em que foi içada a bandeira nacional (norte). Depois de uma sessão de fotos, partimos para a Plaza de Mayo, que fica perto.

A praça é bem cuidada e bem organizada. Seu nome (Praça de Maio) refere-se à data de independência da Argentina (25 de maio de 1810), e em seu entorno localizam-se a Casa Rosada (sede do governo argentino), a matriz do Banco de La Nación e a Catedral Metropolitana. Por sua localização no centro de Buenos Aires e em frente ao palácio do governo, a praça sempre foi ponto de manifestações, discursos e eventos nacionais. Ficou famosa em 2001 por causa dos panelaços que acabaram por destituir três presidentes em uma semana. E no dia que fomos, haviam faixas e cartazes dos veteranos da Guerra das Malvinas, reivindicando melhor tratamento por parte do governo, e uma manifestação de movimentos sociais que acabava de chegar à praça. É natural, portanto, que a Plaza de Mayo transpire história, e é um prato cheio para os que se interessam pela história de nossos vizinhos. Monumentos, fontes e jardins bem cuidados também a tornam um excelente cartão postal da cidade.

A Casa Rosada (que na verdade, parece mais vermelho-clara do que rosa) também é um dos melhores lugares para tirar fotos. O edifício é bonito e bem cuidado, mas não pudemos entrar (o que era esperado, pois trata-se do prédio onde funciona o governo argentino). Na parte de trás, bonitos jardins e fontes, que também estavam fechados para visitas na ocasião. Porém, um edifício subterrâneo com teto de vidro, um tanto escondido, revelaria uma grata surpresa: era o Museu do Bicentenário, construído em 2010 para comemorar os 200 anos da independência. Lá dentro, ícones da história argentina e diversas salas com vídeos explicativos sobre a história do país ao longo destes dois séculos. Outro prato cheio para quem gosta de história.

Museu do Bicentenário, que reúne momentos marcantes da história argentina

 Depois que saímos do museu, a ideia era voltar à estação próxima à casa do Lúcio e conhecer o Cemitério da Recoleta, outro famoso cartão postal da cidade. Mas estávamos cansados, e o Marcos queria procurar um cinema, então acabamos por assistir O Hobbit (com legendas em espanhol, hehe) em um cinema próximo da estação. O filme acabou tarde, e voltamos para a casa do Lúcio logo em seguida.

Buenos Aires não era o foco central da nossa viagem, então acabamos por conhecer muito pouco do que a cidade tem a oferecer. Não passamos pela Recoleta, pelas mansões de Puerto Madero, pelas casas coloridas do Caminho da Boca e não tomamos os famosos sorvetes portenhos. No mais, Buenos Aires lembra um pouco São Paulo: uma cidade grande, vibrante, caótica e que tem sua beleza nos edifícios e na sua história. Numa coisa, porém, a cidade é bem diferente: tudo é muito caro, desde comida até lembrancinhas. O preço das bebidas, seja refrigerante, água ou cerveja, é surreal: uma garrafa de 2 litros de Pepsi custa 25 pesos, o equivalente a mais de 10 reais. A gasolina também manteve-se em torno de 6,50 pesos, muito mais cara do que havíamos cogitado. Algumas pessoas com quem conversei disseram que os preços subiram muito de dois anos para cá, e a inflação anda galopante atualmente pelo país. Portanto, caso queira conhecer a cidade em sua plenitude, é melhor reservar bastante dinheiro.

Chegando à casa do Lúcio, apenas uma conversa rápida e todos fomos dormir. O dia seguinte seria nossa volta à estrada, sempre ao sul, rumo à Patagônia.

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