Finalmente chegou o 4° dia, o primeiro que não teríamos que
passar na estrada. Reservamos o dia todo para conhecer melhor Buenos Aires, já
prevendo que não conseguiríamos aproveitar o máximo da cidade em apenas um dia.
Acordamos por volta das 9 da manhã, conversamos com o Lúcio
(que tinha coisas a resolver durante quase todo o dia), pegamos o carro e
partimos para o centro. O apartamento era razoavelmente perto do metrô, mas
preferimos tentar a sorte de carro. Isso serviu apenas para descobrir que é
virtualmente impossível estacionar o carro no centro de Buenos Aires (algo que,
convenhamos, não é muito diferente de São Paulo). Demos uma, duas, três voltas
pelo mesmo lugar até finalmente desistirmos e voltarmos para perto da casa
Lúcio, para irmos de metrô. E nem lá tinha vaga direito, tivemos que parar bem
longe de onde estávamos...
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| Centro de Buenos Aires, visto da Plaza de Mayo |
A praça é bem cuidada e bem organizada. Seu nome (Praça de
Maio) refere-se à data de independência da Argentina (25 de maio de 1810), e em
seu entorno localizam-se a Casa Rosada (sede do governo argentino), a matriz do
Banco de La Nación e a Catedral Metropolitana. Por sua localização no centro de
Buenos Aires e em frente ao palácio do governo, a praça sempre foi ponto de
manifestações, discursos e eventos nacionais. Ficou famosa em 2001 por causa
dos panelaços que acabaram por
destituir três presidentes em uma semana. E no dia que fomos, haviam faixas e
cartazes dos veteranos da Guerra das Malvinas, reivindicando melhor tratamento
por parte do governo, e uma manifestação de movimentos sociais que acabava de
chegar à praça. É natural, portanto, que a Plaza de Mayo transpire história, e
é um prato cheio para os que se interessam pela história de nossos vizinhos.
Monumentos, fontes e jardins bem cuidados também a tornam um excelente cartão
postal da cidade.
A Casa Rosada (que na verdade, parece mais vermelho-clara do
que rosa) também é um dos melhores lugares para tirar fotos. O edifício é
bonito e bem cuidado, mas não pudemos entrar (o que era esperado, pois trata-se
do prédio onde funciona o governo argentino). Na parte de trás, bonitos jardins
e fontes, que também estavam fechados para visitas na ocasião. Porém, um
edifício subterrâneo com teto de vidro, um tanto escondido, revelaria uma grata
surpresa: era o Museu do Bicentenário, construído em 2010 para comemorar os 200
anos da independência. Lá dentro, ícones da história argentina e diversas salas
com vídeos explicativos sobre a história do país ao longo destes dois séculos.
Outro prato cheio para quem gosta de história.
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| Museu do Bicentenário, que reúne momentos marcantes da história argentina |
Buenos Aires não era o foco central da nossa viagem, então
acabamos por conhecer muito pouco do que a cidade tem a oferecer. Não passamos
pela Recoleta, pelas mansões de Puerto Madero, pelas casas coloridas do Caminho
da Boca e não tomamos os famosos sorvetes portenhos. No mais, Buenos Aires
lembra um pouco São Paulo: uma cidade grande, vibrante, caótica e que tem sua beleza
nos edifícios e na sua história. Numa coisa, porém, a cidade é bem diferente:
tudo é muito caro, desde comida até lembrancinhas. O preço das bebidas, seja
refrigerante, água ou cerveja, é surreal: uma garrafa de 2 litros de Pepsi
custa 25 pesos, o equivalente a mais de 10 reais. A gasolina também manteve-se
em torno de 6,50 pesos, muito mais cara do que havíamos cogitado. Algumas
pessoas com quem conversei disseram que os preços subiram muito de dois anos
para cá, e a inflação anda galopante atualmente pelo país. Portanto, caso
queira conhecer a cidade em sua plenitude, é melhor reservar bastante dinheiro.
Chegando à casa do Lúcio, apenas uma conversa rápida e todos
fomos dormir. O dia seguinte seria nossa volta à estrada, sempre ao sul, rumo à
Patagônia.


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