sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

11º dia



O 11º dia prometia ser um dos mais cansativos. Afinal, teríamos que voltar, desde Ushuaia, até o Estreito de Magalhães, passando novamente por aquela maldita estrada de rípio e provavelmente pegando mais filas para cruzar as aduanas. Após a balsa, seguiríamos na direção contrária da que viemos, para Punta Arenas, no Chile.

Saímos do hostel às 09:50. Porém, antes de seguirmos viagem, precisaríamos de duas coisas: achar um correio para enviar os postais que compramos, e trocar nosso dinheiro para pesos chilenos, já que passaríamos os próximos dias no país vizinho. Tentei de todos os modos estacionar o carro próximo à Avenida San Martín, que reúne boa parte do comércio de Ushuaia, mas foi uma tarefa virtualmente impossível: todos os lugares imagináveis já estavam ocupados e haviam guardas por toda a parte, multando motoristas que estacionavam em lugar proibido. Depois de rodar por uns bons 15 minutos, consegui parar o carro três ruas acima e fomos a pé até a casa de câmbio. Chegando lá, mais contratempos: uma fila dando voltas e voltas, e só um caixa atendendo. Depois de meia hora na fila, finalmente a cereja do bolo: não tinha pesos chilenos! Na casa de câmbio! Saímos rindo pra não chorar.

Deixamos de lado a casa de câmbio e resolvemos ir sem dinheiro chileno mesmo, nos virando com os cartões de crédito. Passamos no correio, onde mandamos nossos postais, e saímos de Ushuaia por volta de 12:30. Nenhuma surpresa na estrada, já que era a mesma Ruta 3 que pegamos na ida, e chegamos em Río Grande às 14:40, onde paramos para comprar alguns suprimentos no Carrefour. Saímos da cidade às 15:20, em direção às aduanas para deixarmos a Argentina e entrarmos no Chile. No meio do caminho, quase atropelo um casal de raposas, do mesmo tipo que vimos no Parque Nacional da Terra do Fogo, que ameaçou cruzar a pista correndo e desistiu na última hora. Se tivesse atropelado elas, seria a maior depressão da viagem.

Placa curiosa que vimos na estrada: CUIDADO! ALPACAS NA PISTA!
 
As duas aduanas tinham filas, mas nada parecido com as filas quilométricas da ida. Ambos os trâmites demoraram cerca de 1:30h, e às 17:30 já estávamos de novo na estrada de rípio para a balsa em Bahía Azul, do lado sul do Estreito de Magalhães. Enquanto estávamos na aduana, um motoqueiro brasileiro nos recomendou uma estrada diferente para a balsa, que descobrimos mais tarde ser a estrada principal (a que pegamos na ida passava por Cullen e alguns vilarejos). E que boa surpresa descobrir que a estrada era muito, mas muito melhor que a primeira! Mesmo rodando um pouco mais, fizemos todo o caminho em 2:20h, muito menos que as 3:30h da ida

A estrada de rípio da volta, muito melhor que a da ida.

Ruta 257 chilena, ainda na Terra do Fogo: concreto e sol depois de rípio e chuva.

Chegamos na balsa às 19:50, e tivemos que esperar cerca de meia hora para sairmos. A travessia foi tranquila, assim como na ida, e levou pouco tempo. Um adendo: a travessia custa 205 pesos argentinos, um valor considerável. Chegando do outro lado, partimos pela Ruta 255 chilena para Punta Arenas. São cerca de 170 km por uma estrada de concreto, impecável e bem sinalizada, que acompanha o Estreito de Magalhães com direito a uma bela paisagem no entorno. Chegamos em Punta Arenas por volta de 21:30, quase 12 horas depois de sairmos de Ushuaia, com o sol ainda baixo no horizonte.

Ruta 255: a parte boa das estradas do Chile.

Na cidade, após uma procura breve, resolvemos ficar no Hostal Patagonia, que nos cobrou 83 dólares pela estadia (pagos com cartão, já que estávamos sem moeda chilena). Comemos cachorro-quente em um restaurante próximo, com preços razoáveis, e depois fomos direto para a cama, pois o dia havia sido cansativo. O dia seguinte seria mais sossegado: partiríamos para Puerto Natales, 270 km ao norte e porta de entrada para o Parque Nacional Torres del Paine, um dos destinos mais aguardados da viagem.

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