O 12º dia prometia ser tranquilo
em relação ao dia anterior: a distância era pouca, a estrada era asfaltada e
chegaríamos em tempo para fazer as compras necessárias para a estadia em Torres
del Paine (da qual eu não participaria). Portanto, nos demos ao luxo de acordar
tarde e saímos do hotel apenas às 11:30, para um breve tour pela cidade.
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| Avenida costeira de Punta Arenas |
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| Orla da cidade, com o porto ao fundo |
Punta Arenas foi mais uma cidade
em que gostaria de ter passado mais tempo. Muito organizada, de ruas limpas e
trânsito bem orientado, além de uma bela paisagem natural à beira do Estreito
de Magalhães e uma arquitetura bem diferente do padrão brasileiro, parecendo
muito mais a Europa do que a América do Sul. A orla da cidade tem belos jardins
e praças com bancos, mesas de xadrez e alguns monumentos. A marinha chilena
também possui uma base grande na cidade, graças em parte à tensão com a
Argentina no final da década de 70 pela posse de algumas ilhas do Canal de
Beagle, que quase resultou numa guerra. Inclusive, na entrada da base, há um
navio de guerra de verdade exposto. O porto também é bastante movimentado, pois
não há conexão terrestre do sul do Chile com o resto do país.
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| Orla da cidade |
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| Casas da cidade: arquitetura europeia |
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| Navio de guerra da marinha chilena, exposto na entrada da base militar da cidade |
Depois do passeio, seguimos
viagem pela Ruta 9, que corta de norte a sul a região sul do Chile. A estrada é
de concreto, bem sinalizada e com belas paisagens no entorno. O único perigo,
se posso chama-lo assim, é o vento lateral, que já era uma constante desde que
entramos nas grandes planícies da Patagônia e fica ainda mais forte neste
trecho da viagem: se não ficar atento e com as mãos firmes no volante, ele joga
o carro na outra pista. Do meio do caminho, já conseguíamos ver os picos
nevados de Torres del Paine. Ao longo da estrada, existiam alguns vilarejos com
casinhas de madeira que despertaram a minha curiosidade de saber como e de quê
vivem essas pessoas, no meio do nada. Prometi que, já que não iria ao parque
com eles, tentaria voltar com o carro e passar um tempo nesses lugares.
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| Vista do Estreito de Magalhães da Ruta 9 |
Chegamos a Puerto Natales por
volta das 14:00, depois de 270 km de viagem. Primeiramente, partimos à procura
de um hotel, e tivemos uma grata surpresa ao descobrir que não faltavam opções
na cidade, por ser a porta de entrada para Torres del Paine. Escolhemos um onde
a diária nos custaria 10.000 pesos chilenos (não se assustem, isso equivale a
R$ 45), com quartos bons, banheiros coletivos e uma internet razoável, mas que
só funcionava na área comum. Como ficaria no hotel pelos próximos 3 dias, era
bom escolher um lugar aconchegante.
Depois disso, saímos para o
Marcos e o Samuel alugarem o equipamento que precisariam para os dias que
ficariam no parque. Fomos também ao centrinho da cidade, que reúne a maior
parte do comércio, para comprar algumas lembrancinhas e suprimentos para os
próximos dias. Isso nos tomou a tarde toda, praticamente, e voltamos ao hotel por
volta das 19:00. Fiz uma das sopas de pacotinho que havia comprado em Río
Gallegos, e depois aproveitamos a internet antes de dormir.
Combinamos de no dia seguinte,
acordarmos bem cedo para chegarmos igualmente cedo ao parque, que ficava a
cerca de 130 km de distância e por estradas de rípio, bem quando eu achei que
tinha me livrado dessa desgraça pra sempre...
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