Nestes dois dias, fiquei em
Puerto Natales, pois não acompanharia meus colegas de viagem em sua excursão
para o Parque Nacional Torres del Paine. Como ambos os dias não tiveram grande
acontecimentos, juntarei os dois no mesmo post.
Desde o planejamento da viagem,
eu já havia decidido que não iria fazer as caminhadas e o acompanhamento em
Torres del Paine, pelo simples motivo de que estou fora de forma demais para
isso. A tentativa de subir ao Glaciar Martial em Ushuaia só confirmou ainda
mais a minha teoria, então ficou decidido que eu ficaria hospedado em algum
hotel em Puerto Natales enquanto o Marcos e o Samuel usariam esses dias para se
aventurar no parque.
No 13º dia, acordamos por volta
das 07:00, pois o catamarã que fazia a travessia para o outro lado do parque
saía às 09:30. Tomamos nosso café da manhã rapidamente, e saímos para a
estrada. A distância de Torres del Paine a Puerto Natales é de cerca de 130 km,
dependendo da parte do parque em que se vai. Segue-se pela mesma Ruta 9 que vem
de Punta Arenas até Cerro Castillo, uma parada com algumas casas e comércio.
Até este trecho, a estrada é inteiramente de concreto e muito bonita, rodeada
por flores, algumas lagoas e a vista sempre bela dos picos nevados do parque. O
problema começa quando você sai da Ruta 9 e entra numa estrada provincial que
leva ao parque. Ganha um doce quem adivinhar como ela é pavimentada...
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| Ruta 9: um imenso jardim nos arredores da estrada |
Enfim, lá estava eu de volta
àquela maldição do rípio. O carro já não era mais o mesmo desde Ushuaia: o
volante trepidava em alta velocidade, indicando que os buracos tinham feito seu
estrago. Pelo menos, o rípio nessa estrada estava em melhor estado, e foi
possível manter uma velocidade de até 80 km/h em alguns trechos. Ao modo que
vai se aproximando do parque, a estrada vai ficando pior (em alguns lugares
dentro do parque, você tem que andar em primeira marcha).
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| Vista do Lago Sarmiento, já dentro do parque de Torres del Paine |
Mesmo com a estrada em bom estado
na maior parte do tempo, não existem milagres, então chegamos ao catamarã
apenas às 10:00. O próximo barco saía ao meio dia, portanto aproveitamos para
fazer uma visita a uma queda d’água que havia nos arredores. O vento no caminho
ameaça me carregar pra trás, tamanha a força. Mas valeu a pena: uma belíssima
imagem que prenunciava a beleza do parque.
Depois disso, me despedi dos dois
e comecei a volta para Puerto Natales. Dei uma volta pelo parque em vez de
voltar pelo mesmo caminho da ida, e apesar das estradas terríveis, a paisagem
era muito bonita, cheia de lagoas e bichos acompanhando o trajeto da estrada
(vi lebres, raposas e vários guanacos, que chegaram a correr acompanhando o
carro). Cheguei em Puerto Natales em menos tempo que na ida, e aproveitei para conhecer
a cidade.
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| Guanaco em Torres del Paine: não sei como consegui tirar a foto, pois os bichos são bem ariscos |
O centrinho ficava apenas a duas
quadras do hotel, então o carro teve seu merecido descanso nos dias que passei
na cidade. Fui a algumas lojas que já havíamos visitado no dia anterior,
comprei lembrancinhas, procurei uma lavanderia e um bom (e barato) restaurante.
Aliás, Puerto Natales e o Chile em geral me surpreenderam pela boa culinária;
era parecida com a argentina, mas mais barata. Comi um lomo (bife alto) com molho de pimenta do reino, pagando cerca de
7000 pesos chilenos (R$ 30), um preço aceitável para uma cidade turística.
Depois, voltei ao hotel e aproveitei a internet até de noite, coisa que não
fazia a tempos.
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| Píer na entrada de Puerto Natales |
No dia seguinte, pretendia
visitar os vilarejos próximos que tinha visto na ida. Porém, houve um pequeno
contratempo: o tempo. Choveu o dia inteiro, desde manhãzinha, e acabei ficando
quase o dia todo no hotel. Só saí para almoçar, quando comi um filé de
peixe-rei com batatas fritas num restaurante caseiro e bem acolhedor, e por um
preço bem razoável. Aproveitei para levar minhas roupas na lavanderia, e voltei
para busca-las às 21:00. Jantei um prato de massa no mesmo restaurante do
primeiro dia, que custou 3000 pesos chilenos (algo em torno de R$ 13,50).
Aliás, é curioso como as massas são baratas, tanto aqui quanto na Argentina: em
Viedma, também comi um prato de talharim que me custou muito menos que as
outras opções do cardápio. Só não sei o motivo disso.
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| Um dos pequenos vilarejos à beira da estrada, entre Puerto Natales e Torres del Paine |
Quando voltei ao hotel, passei a
noite no hotel atualizando esse mesmo blog. Por volta das 23:00, recebo uma
mensagem do Samuel me dizendo que estavam com problemas no parque. Não dava
para ir busca-los, pois levaria umas 4 horas para ir e voltar, estava escuro e
não havia nenhum posto aberto; portanto, eles tiveram que dormir por lá mais um
dia. Mas isso eu deixo para os próprios contarem como foi, no próximo post.




